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Leandro Sorio: Um anarquista bresciano nas garras do século XX, 1899-1975

Entre os Sorio do século XX, Leandro é aquele cuja história deixou as marcas mais profundas nos documentos públicos italianos. Não por escolha própria — pelo contrário —, mas porque sua biografia cruzou com um dos pontos críticos do fascismo nascente: o atentado de Gino Lucetti a Benito Mussolini, em 11 de setembro de 1926. A partir daquele dia, sua vida foi atraída para a órbita de um acontecimento enorme, e ele — um garçom bresciano de vinte e sete anos, em um quarto de hotel em Roma — acabou no tribunal, na prisão, no confinamento e, finalmente, na Resistência. Uma trajetória que vale a pena contar por inteiro, porque é uma daquelas que mostram o que significava ser um anarquista italiano no coração do século XX.

Origens brescianas

Leandro Sorio nasceu em Brescia, no bairro operário de Chiesanuova, em 30 de março de 1899. É um dos últimos nascidos do século XIX, e cresce na Brescia operária e artesanal da primeira era giolittiana. Sua família, como tantas naquele bairro, é de origem popular. Seus pais — cujos nomes as fontes não mencionam — pertencem àquela classe de trabalhadores urbanos da província lombarda que nas décadas de 1910 e 1920 representou a base social da oposição operária, tanto socialista quanto anarquista.

As fontes biográficas disponíveis — o Dicionário biográfico dos anarquistas italianos (Biblioteca Franco Serantini, Pisa, 2000), a página da Brescia anticapitalista, e a página da Wikipedia que delas deriva — concordam em descrever Leandro Sorio como “militante desde jovem no movimento anarquista”. É um dado significativo: o anarquismo, na Itália, teve um enraizamento importante primeiro nas áreas apuanas (Massa-Carrara, onde nasceria Gino Lucetti) e nos centros operários do Norte, e em Brescia, no início do século XX, existia uma pequena, mas animada tradição libertária — feita de grupos locais, de leituras clandestinas, de solidariedade operária, de antimilitarismo.

Sobre sua formação política juvenil não sabemos os detalhes. Sabemos, porém, que, como muitos anarquistas de sua geração, Leandro Sorio foi provavelmente influenciado pelas grandes mobilizações operárias do “biennio rosso” 1919-1920, pelas agitações contra a intervenção militar na Líbia e na Primeira Guerra Mundial, pela figura de Errico Malatesta (o velho líder histórico do anarquismo italiano, então de volta à Itália após longo exílio), e pelas primeiras agressões fascistas (“squadristas”) que, também em Brescia, começaram a atingir as seções operárias e socialistas entre 1920 e 1922.

Roma, 1920: a nova vida de um garçom militante

Em 1920 — com apenas 21 anos — Leandro Sorio muda-se para Roma. A capital era então uma cidade em expansão, capaz de absorver mão de obra do Norte operário e do Sul rural. Encontra trabalho como garçom no hotel Trento e Trieste, uma pensão de nível médio onde paravam viajantes, militares de passagem, profissionais a trabalho. O trabalho de garçom era então um ofício comum para os jovens trabalhadores migrantes que vinham à cidade: relativamente estável, com alimentação e hospedagem garantidas, mas mal remunerado e sem perspectivas de carreira.

Em Roma, Sorio entra em contato com os grupos anarquistas romanos, uma rede pequena mas ativa que gravitava em torno de figuras como Vincenzo Baldazzi, ex-Ardito del Popolo, e de círculos históricos como o de San Lorenzo e o de Testaccio. São os anos em que o fascismo, após a Marcha sobre Roma em outubro de 1922, começa a apertar o controle sobre o país. A repressão contra os anarquistas, já intensa, torna-se sistemática. Ainda assim, as franjas mais duras da oposição antifascista — os Arditi del Popolo, os anarquistas individualistas, alguns grupos comunistas dissidentes — continuam a atuar na clandestinidade.

O quão diretamente Sorio estava envolvido nessas redes militantes é uma questão que as fontes não esclarecem. Os documentos policiais subsequentes — baseados na chamada “ficha biográfica” do Casellario Politico Centrale — o descrevem como um militante anarquista convicto, mas não como um dirigente de organização. Era mais, segundo a fórmula da Biblioteca Franco Serantini, o “faz-tudo do hotel”: o jovem bresciano sempre presente, que conhecia todos os clientes, que sabia quem entrava e quem saía, e que — como emergirá dramaticamente no verão de 1926 — podia, se necessário, abrigar alguém em um quarto sem fazer muitas perguntas.

11 de setembro de 1926: o atentado da Porta Pia

Para entender a guinada na vida de Leandro Sorio é preciso reconstruir brevemente o contexto. Gino Lucetti era um anarquista de Carrara, de 26 anos, marmorista de Avenza, que, após fugir para a França para escapar das represálias fascistas — havia ferido em Carrara um militante fascista em 1925 —, retornou clandestinamente à Itália no verão de 1926 sob o falso nome de Ermete Giovannini, com a intenção clara de matar Mussolini. Hospedou-se em uma pensão na via Sant’Agata dei Goti, e nos dias que antecederam o atentado transferiu-se para outros refúgios seguros oferecidos por militantes anarquistas romanos. Entre esses alojamentos, segundo a sentença do Tribunal Especial, estava também o quarto de Leandro Sorio no hotel Trento e Trieste.

Na manhã de 11 de setembro de 1926, às 10h20, Lucetti escondeu-se atrás de uma banca de jornais na praça da Porta Pia, em frente ao então bar Nomentano. Quando passou o Lancia Lambda negro que levava Mussolini da Villa Torlonia ao Palazzo Chigi, Lucetti lançou uma granada de mão tipo SIPE — um artefato da Primeira Guerra Mundial ainda em circulação. A bomba atingiu a borda superior da janela traseira direita, ricocheteou na carroceria e explodiu no chão, ferindo oito pessoas e deixando Mussolini completamente ileso. Lucetti, armado também com uma pistola carregada com balas dum-dum, foi imobilizado por um pedestre — um certo Ettore Perondi — antes mesmo que pudesse fugir.

O atentado da Porta Pia foi um dos momentos mais dramáticos da primeira fase do regime fascista. Mussolini, furioso, demitiu o chefe de polícia Francesco Crispo Moncada e nomeou em seu lugar Arturo Bocchini, que transformaria a polícia italiana em um instrumento de vigilância em massa pelos quinze anos seguintes. Poucos meses depois, em novembro de 1926, seriam promulgadas as “leis fascistíssimas” que instituíam o Tribunal Especial para a Defesa do Estado e o regime de confinamento policial para os opositores políticos.

O processo e a condenação a vinte anos

As investigações sobre a rede romana de Lucetti avançaram rapidamente. Em 15 de setembro de 1926 — quatro dias após o atentado —, Leandro Sorio foi preso no hotel Trento e Trieste, juntamente com Stefano Vatteroni, também anarquista de Carrara, conterrâneo e amigo de infância de Lucetti. As acusações feitas aos dois eram gravíssimas: “atentado à vida de Mussolini, ferimento, tentativa de provocar tumulto público”.

O processo ocorreu no Tribunal Especial para a Defesa do Estado — a corte política recém-instituída pelo regime — em 11 de junho de 1927. A presidência foi confiada ao general Carlo Sanna, relator o juiz Buccafurri. A sentença nº 20, de 11 de junho de 1927, condenou:

A fórmula de “cumplicidade não necessária” é juridicamente importante: aplicava-se àqueles que, mesmo não tendo participado diretamente na execução do crime, tivessem fornecido ajuda material (como hospedagem) ou moral ao culpado, mas de forma não indispensável ao sucesso da ação. Quanto às provas efetivamente reunidas contra Sorio, eram fracas: a própria sentença admitia que “contra” Sorio e Vatteroni “só se pode provar que são amigos de Lucetti”. O próprio Lucetti, aliás, durante toda a instrução e o processo, nunca citou o nome de nenhum cúmplice, sustentando ter agido sozinho. A condenação foi, portanto, em grande parte, um ato de exemplaridade política: queria-se golpear a rede anarquista romana, e Sorio — o “faz-tudo” do hotel — era o rosto mais acessível sobre o qual infligir a pena.

Vinte anos de prisão por ter abrigado um amigo em um quarto de hotel: a desproporção entre acusação e condenação é a marca registrada de uma justiça política.

A prisão: dez anos de celas

Leandro Sorio cumpriu sua pena em várias prisões da península. As fontes não fornecem a lista completa, mas mencionam especificamente sua passagem pela prisão de Civitavecchia, descrita como “prisão dura” e considerada particularmente prejudicial à sua saúde física. É provável que, como outros condenados políticos da época, tenha conhecido também Regina Coeli em Roma, Fossombrone nas Marcas, e outras penitenciárias do sistema prisional fascista.

Uma nota da Brescia anticapitalista relata que durante esses anos Sorio foi “isolado de amigos e familiares”, uma condição de privação afetiva, bem como física. A correspondência dos presos políticos era sistematicamente interceptada, as visitas limitadas, as leituras vigiadas. O regime fascista aplicava aos adversários um tratamento com o objetivo de desgastá-los psicologicamente, além de fisicamente.

As fontes convergem em um dado significativo: “Sorio na prisão fortalece e endurece sua própria fé política”. A detenção não o quebra, mas pelo contrário, o radicaliza. Sai da prisão mais convencido de suas ideias anarquistas do que quando entrou — um fenômeno comum aos presos políticos daqueles anos, que nas celas fascistas continuavam a ler, discutir e se formar.

O confinamento: Ponza e Tremiti, 1937-1943

Em fevereiro de 1937, após dez anos de reclusão, Leandro Sorio é anistiado em decorrência de um dos indultos periódicos concedidos pelo regime. A liberdade, porém, dura uma semana. Os “carabinieri” o prendem novamente, relatando à prefeitura “a periculosidade irredutível”. A lógica do sistema é simples: a pena formal expirou, mas o vigiado continua sendo um militante anarquista e, portanto, deve ser tirado de circulação de qualquer maneira.

O instrumento utilizado é o confinamento de polícia, instituto introduzido pelas leis de 1926 e que permitia às Comissões Provinciais enviar um cidadão a uma localidade remota — tipicamente uma ilha — por um período de até cinco anos, prorrogável, sem processo. Em setembro de 1937, Sorio é enviado primeiro para Ponza e depois para as ilhas Tremiti, duas das principais colônias de confinamento do regime, onde se reunia a densa comunidade dos opositores políticos: anarquistas, comunistas, socialistas, membros do movimento Giustizia e Libertà (“giellisti”), eslavos da fronteira oriental.

Nas Tremiti, onde passaria boa parte do confinamento, Sorio frequenta “principalmente elementos anarquistas” — seus históricos companheiros de militância —, mas também comunistas como Umberto Terracini e Mauro Scoccimarro, duas figuras de destaque do Partido Comunista da Itália que também estavam confinados nas mesmas ilhas. É um detalhe valioso: diz-nos que a convivência forçada criava nas colônias de confinamento um laboratório político inesperado, onde homens de diferentes tradições se confrontavam, discutiam, às vezes se chocavam, mas com a mesma frequência construíam amizades e laços que perdurariam além da Libertação. Terracini se tornaria presidente da Assembleia Constituinte em 1947; Scoccimarro seria Ministro das Finanças. Sorio retornaria para Brescia.

Em junho de 1942, ao final do seu período de confinamento, os funcionários decidem retê-lo ainda mais “por razões de guerra”: a Itália está em guerra e os subversivos não podem ser libertados. Somente em agosto de 1943, após a queda do fascismo e a prisão de Mussolini (25 de julho de 1943), a prefeitura registra o retorno de Sorio a Brescia.

A Resistência bresciana, 1943-1945

Sorio tinha quarenta e quatro anos quando voltou à cidade. Dezessete anos passados entre prisão e confinamento — de 1926 a 1943 — tinham cobrado um alto preço físico, particularmente por conta da prisão em Civitavecchia. E, no entanto, ele não parou. Poucos dias após o seu retorno, em 8 de setembro de 1943, a Itália assinou o armistício com os Aliados e o país mergulhou na guerra civil: no Norte nascia a República Social Italiana, o estado fantoche de Mussolini sob controle alemão; nos vales e cidades começava a Resistência armada.

Em Brescia, uma das primeiras cidades do norte da Itália onde o movimento partidário se organizou, Leandro Sorio teve que entrar na clandestinidade com o advento da RSI e colaborou ativamente com a Resistência bresciana como ligação. O papel de “ligação” — termo técnico do léxico partidário — indicava aquele que ia e vinha entre as formações armadas nas montanhas e as redes urbanas de apoio (fornecendo provisões, armas, informações, documentos falsos). Era uma tarefa perigosa e fundamental, particularmente adequada a um homem como Sorio: debilitado fisicamente, mas com anos de clandestinidade no currículo, conhecido e de confiança nos círculos operários e antifascistas da província.

As fontes não especificam em qual formação “partigiana” ele operava, mas, dada a sua militância anarquista, é provável que gravitasse em torno das Brigadas Matteotti (da área socialista-libertária) ou das formações mistas de Val Trompia e Val Camonica, os vales brescianos que foram palco de intensa atividade de resistência. A Resistência bresciana — que pagou um pesado tributo de sangue nos vinte meses entre setembro de 1943 e abril de 1945 — viu a participação de anarquistas, comunistas, católicos e “azionisti”, numa mobilização plural que reconstituía, após vinte anos de ditadura, o tecido da democracia de base.

O pós-guerra em Tavernole sul Mella

Libertada Brescia em 27 de abril de 1945, Leandro Sorio não escolheu a carreira política. Enquanto muitos de seus companheiros de confinamento — Terracini, Scoccimarro, Pertini, Pajetta — entravam nas instituições da nova Itália republicana, ele tomou um caminho diferente. Mudou-se para a casa de sua irmã em Tavernole sul Mella, pequeno município em Val Trompia (província de Brescia), onde o vale do rio Mella se estreita entre montanhas arborizadas.

Em Tavernole — uma localidade rural de alguns milhares de habitantes, longe dos holofotes da política nacional —, Sorio aplicou concretamente seus ideais anarquistas ao trabalho diário. Deu vida à primeira cooperativa entre os trabalhadores da Alta Valle, uma experiência de autogestão operária que colocava em prática os princípios históricos do mutualismo libertário: trabalho comum, distribuição justa, decisões democráticas, independência dos patrões e do Estado. As fontes aludem ao “ostracismo de que foi alvo nos primeiros anos do pós-guerra” — um sinal de que, num vale onde as velhas relações de poder não haviam mudado tanto, um anarquista voltando do confinamento não era bem-vindo por todos.

Sorio manteve-se fiel a seus ideais até o fim. Não renegou a sua militância, não se converteu a partidos mais moderados, não buscou honrarias. Continuou a “professar a sua crença política” — como as fontes escrevem — da forma mais consistente possível: trabalhando, organizando, vivendo como anarquista em um pequeno vale bresciano, com a dignidade obstinada de quem pagou vinte anos de prisão pelas suas ideias e não tem a menor intenção de renegá-las no pós-guerra.

Leandro Sorio morreu em Tavernole sul Mella em 14 de dezembro de 1975, aos setenta e seis anos. O jornal Bresciaoggi dedicou-lhe um breve obituário no dia seguinte.

Os rastros na memória

A figura de Leandro Sorio é citada em diversas obras da história do antifascismo italiano. A sua biografia consta do já mencionado Dicionário biográfico dos anarquistas italianos (Pisa, BFS, 2000), obra de referência internacional sobre a história do anarquismo italiano. Ele é mencionado em estudos especializados como os de Kathy E. Ferguson, Emma Goldman: Political Thinking in the Streets (Rowman & Littlefield, 2011, p. 43), e no volume de Pierre Vareilles sobre os assassinatos políticos do século XX. Ele aparece nas reconstruções históricas do atentado de Lucetti sempre que a historiografia revisita os eventos de Porta Pia.

Em um vale bresciano, onde viveu seus últimos trinta anos, o seu nome é lembrado pelos círculos do antifascismo local e pela tradição cooperativa da Alta Valle. Mas o seu é um nome que — como o de tantos militantes de base do século XX — foi absorvido em grande parte pela memória coletiva sem se tornar um nome de primeira página.

Uma pista bresciana do sobrenome Sorio

Em relação ao sobrenome Sorio, em particular, a história de Leandro é significativa por um motivo específico: é a principal comprovação do sobrenome fora do Vêneto no século XX. Brescia é, de fato, a primeira grande cidade da Lombardia alcançada ao viajar para oeste a partir do núcleo original de Vicenza e Verona do sobrenome, e a chegada de um grupo familiar Sorio a Brescia entre o final do século XIX e o início do século XX — os pais de Leandro devem ter-se estabelecido ali pelo menos alguns anos antes de 1899, ano do seu nascimento — é consistente com o padrão geral de migração interna entre o Vêneto e a Lombardia ligada à industrialização bresciana no final do século XIX. Brescia, com as suas aciarias, armas e indústria siderúrgica, atraía mão de obra das planícies do Vêneto, da área de Bérgamo e de Valtellina.

A partir das fontes disponíveis, não podemos dizer com certeza de que ramo específico do Vêneto era proveniente a família bresciana de Leandro Sorio. Uma pesquisa genealógica direcionada aos arquivos paroquiais do distrito de Chiesanuova, em Brescia, poderia revelar os nomes dos seus pais e, a partir daí, o caminho para a cidade de origem no Vêneto. É uma investigação que permanece aberta a qualquer um que decida iniciá-la.

O que é certo é que, por meio de Leandro Sorio, o sobrenome vêneto entrou na história italiana do século XX por uma porta lateral e dramática: a porta da repressão fascista, do Tribunal Especial, das ilhas de confinamento, da Resistência partidária e do compromisso longo, silencioso e cooperativo do período do pós-guerra. A vida dele é uma vida que merece ser lembrada ao lado da dos Sorio mais antigos e mais ilustres — não pela grandiosidade de seus atos, mas pela coerência com a qual um jovem garçom de Brescia, após vinte anos de prisão e meio século de militância, manteve vivas as ideias que havia abraçado aos vinte anos.


Fontes consultadas: Dizionario biografico degli anarchici italiani (Biblioteca Franco Serantini, Pisa, 2000); página “Leandro Sorio” na Wikipedia italiana; “L’altra Brescia. I nostri: Leandro Sorio, l’anarchico che collaborò con Lucetti all’attentato a Mussolini”, em Brescia Anticapitalista, 4 de agosto de 2022; Bresciaoggi, 15 de dezembro de 1975; Adriano Dal Pont et al., “Aula IV. Tutti i processi del Tribunale Speciale fascista”, Milão, ANPPIA/La Pietra, 1976, sentença n. 20 de 11 de junho de 1927; Biblioteca Franco Serantini, ficha biográfica “LUCETTI, Gino”; Kathy E. Ferguson, “Emma Goldman: Political Thinking in the Streets”, Rowman & Littlefield, 2011.


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